quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Quebrar o Silêncio é Necessário

 “Quebrar o silêncio é necessário!” Esta é uma das frases mais divulgadas pelos comitês de ajuda as mulheres que são vítimas da violência doméstica. Englobado neste contexto, o fato que marcou o município de Esperança na última quinta-feira, (6) serviu de alerta para os cidadãos em  lembrar a importância da Lei 11.340/2006, mais conhecida como Lei Maria da Penha, que dispõe sobre as punições para os homens que cometem violência doméstica e familiar, em que, as mulheres são as vítimas.
Assim como Malvina dos Santos Emiliano, assassinada brutalmente por 2 golpes de peixeira desferidos pelo seu companheiro na tarde de 6 de outubro, muitas mulheres estão sendo vítimas da violência doméstica devido ao machismo que ainda impera a sociedade brasileira.
Além dela não podemos esquecer-nos da talentosa Socorro de Riacho Fundo, coordenadora da “Cooperativa da Boneca Esperança” assassinada pelo seu esposo na década de 2000, ela se tornou um símbolo de esperança – o sentimento do homem que sonha acordado, segundo Aristóteles – porque atesta a capacidade de alguém desenvolver um talento e, a partir dele, superar adversidades. Ao mesmo tempo, expõe o risco de que o descaso e a inoperância do poder público engessem talentos ou enterrem oportunidades.
Assim como elas e tantas mulheres brasileiras presas a um casamento violento, em que seu marido a via como propriedade,  está  também Maria da Penha atingida do jeito mais covarde: com um tiro nas costas enquanto dormia na sua casa no ano de 1983. Maria permaneceu no hospital durante quatro meses. Quando voltou pra casa, seu marido a manteve em cárcere privado e tentou matá-la pela segunda vez, então por eletrocussão.
Ela ficou paraplégica, conseguiu sobreviver. E, durante 19 anos, viu a justiça não ser feita. Só quando o crime já estava quase prescrito, e por causa de pressões internacionais, é que o ex-marido finalmente foi preso. Ele ficou dois anos na cadeia e saiu em 2002, um homem livre.
Muitos dos homens que praticam tal violência em suas casas, acreditam que vivemos num mundo de plena igualdade, e por isso consideram injusto não que mulheres apanhem (eles ora negam essa realidade ou inventam que elas merecem), mas que haja uma lei específica para protegê-las. O pior é que muitos policiais, delegados e juristas pensam (modo de dizer) igualzinho a esses neandertais.
Pois bem, segundo estatísticas 5 mulheres  são agredidas no Brasil a cada dois minutos.  Os números de chamadas ao telefone 180, a Central de Atendimento à Mulher, só sobem ― o que pode ser algo positivo, pois significa que mais mulheres estão denunciando, não se calando para um tipo de violência que costuma ser encoberta pela sociedade.
Muitas vezes o que começa com violência psicológica e verbal escala para a violência física. E quando a mulher decide rompe esse ciclo, ela é assassinada.
A Lei Maria da Penha foi um ganho e muito para o Brasil. Não nos esqueçamos que, além da mulher, as crianças e adolescentes, são muito atingidos quando um homem violenta uma mulher. Muitos meninos aprendem que violentar é a única forma de se relacionar com uma parceira. E muitas meninas colocam na cabeça que todo homem é igual ao parceiro da sua mãe. É um círculo vicioso que precisa ser rompido com leis mais duras, mais sérias.
Lutar pelos direitos da mulher se faz urgente, afinal elas estão no poder do País e da cidade, mas a cidadania feminina está longe ainda de ser respeitada pelos homens. Só a união e a conscientização é que trarão os esperados e justos resultados, isto é, a igualdade de gênero dentro de uma sociedade mais justa e humana.
Rodolpho Raphael

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