sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Igreja Católica e suas múltiplas relações de comunicação

Por Rodolpho Raphael
Podemos dizer que o grande desafio da Igreja Católica no século 21 é a juventude. Afinal, atrair os jovens para uma vivência de fé e obedientes à doutrina, bem como nos ensinamentos cristãos, é uma tarefa intensa, e para isto estão utilizando como principal instrumento as redes sociais, em especial o Twitter.
O microblog foi concebido pelo programador americano Jack Dorsey há 17 anos. Sua função era rastrear motoristas de táxi, o que por analogia pressupõe o porquê da pergunta no site do Twitter: “O que você está fazendo?”. Contudo, depois de um tempo ele percebeu que esta mesma tecnologia poderia ter outros usos e, com a ajuda dos fundadores do site Blogger, Biz Stone e Evan Williams, a sua ideia ganhou forma. Em setembro de 2006, o site foi lançado, embasado na mobilidade dos celulares, sua concisão de mensagens e instantaneidade de informações.
Com isso, o Twittervem sendo considerado um ambiente de liberdade de comunicação, já que se encontra no ciberespaço e, segundo Stockinger, o ciberespaço multiplica e amplia os graus de liberdade e opções alternativas, o que realimenta o conteúdo da própria comunicação. Contudo, podemos dizer também que o Twitter é um espaço de informação, já que é um microblog – também segundo Stockinger, a informação é um evento temporalizado e perecível. O momento pelo qual passamos hoje parece ser intensificado a cada instante que um dispositivo das novas tecnologias aparece no mercado. Dependendo do dispositivo e de sua função, os resultados variam, e muito.
Múltiplas formas e modulações
Voltando à Igreja, a chamada “tradição hereditária”, um dos pilares de sustentação do catolicismo, perdeu força. Não há mais a transferência da religiosidade dos pais para os filhos; seus “herdeiros” optam pela religião que mais se identifica com o que exprime ao mesmo tempo um sentimento de escolha pessoal. Com isso, entra o trunfo da Igreja católica, que vem com discursos cativantes e um forte aparato tecnológico, que conta com horários na televisão, espaços em rádios, jornais e redes sociais; com isso, os líderes católicos conseguem uma boa penetração, principalmente em jovens de classe média entre 15 e 20 anos.
De acordo com Hervieu-Léger (2005), a secularização das sociedades modernas combina, de maneira complexa, a perda de influência dos grandes sistemas religiosos sobre uma sociedade que reivindica a sua plena capacidade de orientar o seu destino e a recomposição, sob uma nova forma, das representações religiosas que permitiram a esta sociedade pensar-se a si própria como autônoma.
Segundo Miranda (2008), o imperativo católico, desde a separação entre Igreja e Estado, tem sido sempre o mesmo no Brasil: garantir a presença da religião no espaço público. O que muda são apenas as formas de presença pública do catolicismo. Nas três últimas décadas, as expressões da religiosidade católica ocuparam com enorme visibilidade o espaço público, tendo grande contribuição de clérigos e leigos.
Honfeldt define a comunicação como o “processo social básico de produção e partilha do sentido através das formas simbólicas”. Portanto, a modernidade não pode ser apontada como a “descobridora da comunicação”, mas como um período histórico no qual esse processo foi problematizado e teve seu desenvolvimento complexificado, promovendo o surgimento de múltiplas formas e modulações na sua realização.

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